Finalmente o sol deu o ar de sua graça e conseguimos pegar o caiaque! Arrumamos tudo o mais rápido possível (ok, não tão rápido, por causa do problema de cabeça do seu blagus). Deixamos as mochilas e alguns equipas no camping em paraty, para serem entregues posteriormente onde deixariamos o caiaque, enfiamos o resto nos sacos estanques e zarpamos.

Estávamos tão adrenados, que remamos por umas 2 horas sem parar. Eu estava encantada com a beleza do lugar. A água cristalina, dava impressão de ser um espelho. Bom, remamos até o leme travar. E essa foi a hora em que quase tive um ataque histérico. Blaguinhos tinha que descer da embarcação para destravar o dito cujo e as chances do barco virar são imensas se vc não se movimenta com cuidado. Existem técnicas de descida e subida do caiaque. Ain! Bom, ele desceu, enquanto eu gritava que aquela porra ia virar, arrumou o bicho, aproveitou para dar uns mergulhos, enquanto eu assava sob o sol, e subiu, enquanto eu dava mais uns gritos.


Num certo ponto tínhamos que passar por um trecho de mar aberto e foi exatamente nessa hora que o tempo fechou novamente e começou a chover e a ventar. Mar aberto com chuva e vento é bem emocionante. HAHAHA. Crianças, não façam isso!

Nossa primeira parada foi no Saco da Velha, logo após o trecho de mar aberto. Tentamos acampar numa praia, mas a "dona" disse que não podíamos. Foi o primeiro o único não da trip. ENtão remamos mais um pouco e encontramosa praia do bar do "Seu Vivinho". Ok, "Seu Vivinho" estava mortinho da silva há uns 6 anos. Que Deus o tenha! Mas fomos recebidos por sua esposa/viúva muito simpática, a Dona Stella (se não estou enganada). Um amigo do blagus tinha indicado o local para ele. Depois de alguns dias, tomávamos a primeira cerveja. Somente depois de algumas latinhas é que armamos o acampamento.
Algumas coisas que estavam fora dos estanques estavam muito molhadas e úmidas por causa da chuva. E então montamos nossa "árvore" de natal. Favela rules!

No dia seguinte, 27/12/08, o tempo fechou novamente. Ficamos mais um dia. Um dia sem fazer nada. Chovia sem parar. Um dia totalmente come-e-dorme.
No dia seguinte, o sol não apareceu totalmente, mas o tempo estava bom, principalmente para remar. Remamos para o Saco do Mamanguá. Fizemos uma parada em Paraty-mirim. Como já tinhamos detonado todas a barras de cereal, que levamos para a viagem inteira, compramos alguns mata-fome no local. Não havia nenhum mercadinho por perto e tivemos que nos contentar com a barraca na frente da praia, que vendia apenas salgadinhos isopor e biscoitos doces. Se é o que tem, é o que vai!

Nossa próxima parada foi numa praiazinha onde tinha o Restaurante do Ostra. O cheiro de camarão alho e óleo reinava no ar. Pedimos uma porção...duas...e uma terceira no jantar. Cacete! Como tava bom aquele camarão. E melhor: muito barato! Era o paraíso - até anoitecer.
Acampamos por lá mesmo. Aproveitamos para carregar a bateria da câmera fotográfica e do GPS. Apenas o cãozinho do local não foi muito amigável e pensou em comer um pedaço de carne branca (a perna do blagus). Bom, ele devia estar cansado peixe. Fomos dormir. E é aí que termina o paraíso e começa o inferno: porvinhas! Pense num bichinho, menor que a ponta de uma caneta, que se multiplica em progressão geométrica e tem a picada de um borrachudo. Esqueça repelentes: Exposis? Off? Citronela? Hahaha. Não faz nem cócegas no bicho. Saimos da barraca para tentar dormir numa casa em construção ao lado. Sem chance. O jeito era esperar o dia amanhecer...Quando acordamos, arrumamos as coisas o mais rápido possível. Estávamos cansados e mau-humorados pela noite não dormida.
Zarpamos em direção ao fundo do Saco do Mamanguá, onde deixariámos o caiaque. Fizemos um tour pelo manguezal próximo. Milhares de carangueijos, de todos os tamanhos. Me deu muita vontade de comer uns. A carapaça vermelha do caranguejo com o cinza da lama, exibe um contraste maravilhoso. Mas o fedor é terrível.
Quando estávamos indo para a base, a maré tinha baixado bastante e o caiaque atolou. Blagus desceu e empurrou-o por alguns metros até conseguir sair da zona da lama. Quando se lavantava o pé o fedor era insuportável, de merda mesmo! Finalmente chegamos a base! Eram umas pessoas estranhas que habitavam aquele local. No ínicio fomos recebidos um pouco mal, com uma certa aspereza. Pouco mais de 1 hora depois, conversavámos e até fomos presenteados com uma bacia de carangueijo! Ui!


Pouco depois, nos demos conta de que os porvinhas iriam atacar novamente. E vierem com tudo! Não conseguimos nem fazer a janta: dentro da barraca era terrível, mas fora tava impossível. O jeito foi dormir de calça, blusa de manga comprida, meia e a cabeca coberta com a toalha. Não foi a salvação, mas deu para dormir um pouco melhor que na noite anterior.
